8 de outubro de 2016 / Conversa de banheiro Textos

Eu estou em um relacionamento sério. É com uma pessoa complicada, confusa e eu não sei muito bem como lidar com ela. As vezes ela sai do meu controle, outras eu acho que estou perto de entende-la, mas em pouco tempo essa esperança acaba. Na maioria das vezes, descobrir mais sobre ela é a melhor parte desse relacionamento e em outras, essa situação de não saber muita coisa depois desse longo tempo… Dá uma vontade de desistir. Mas não ia ser legal, nem para a gente e nem para os outros.

Estamos caminhando para 20 anos juntas. Alguns dias a gente está mais separada do que junta, parece que está meio brigada, mas no final a gente sempre acaba fazendo as pazes. Tem pouco tempo que eu comecei a realmente dar atenção para ela, tentar REALMENTE entende-la, seus gostos, sonhos e escolhas, e tem sido bem legal.

Um relacionamento com si próprio é a relação mais longa e complicada que você vai ter, mas é uma das poucas pela qual vale a pena você sempre lutar. Veja bem, se você não estiver bem consigo mesmo, nada mais vai bem, sua vida vai parando aos poucos e em pouco tempo você se vê empacado com você mesmo em uma situação que você não quer estar.

Quando nos damos uma chance, as coisas vão bem. Você passa a apreciar pequenos momentos sozinha e, apesar de uma noite com os amigos ser incrível, vão ter dias que tudo o que você vai querer é ficar em casa, assistir um bom filme e dançar pela sala na excelente companhia de você mesma.

Durante esses poucos anos de vida que tive, sempre escutei de amigas “se você não se valorizar e se amar, ninguém mais vai fazer isso”. Sempre achei a maior mentira, não fazia sentido na minha cabeça a ligação de uma coisa com a outra. Mas, sim, é a maior verdade de todas: Se ame antes e só aí você vai poder amar e ser amada da maneira correta.

Quando a gente está mal, quando não gostamos daquilo que vemos no espelho (e eu não estou falando apenas de aparência), a gente passa a jogar toda essa insegurança e frustação nos nossos relacionamentos, sejam nas amizades ou em namoros. A gente projeta nos outros tudo aquilo que sentimos por nós mesmos. Agora deu para entender um pouco melhor o porquê daquela frase do parágrafo acima fazer tanto sentido?

E essa relação nunca está 100%. Temos sempre mais para descobrir e evoluir, até porque nós estamos em constante processo de mudança. Mas é incrível descobrir quem é e gostar de ser e estar consigo mesma. Valorizamos muito pouco esse relacionamento e achamos difícil perceber a importância dele, mas sempre nos esquecemos que, nos bons e maus momentos, quem está sempre com a gente somos nós mesmos. Então, melhor que seja uma relação saudável e que você seja uma companhia agradável para aquela que passa 24 horas ao seu lado: você mesma.


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3 de abril de 2016 / Textos

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Eu desde pequena tive essa vontade, talvez um pouco ingênua, de mudar o mundo, de fazer dele um lugar melhor para se viver, de fazer as pessoas felizes. É que para mim não existe um porquê de continuar vivendo se não for para contribuir para o mundo, mesmo que de maneira pequena.

O que seria isso? Veja bem, quando você faz alguém sorrir, você está tornando o mundo um lugar melhor!  Ao deixar uma pessoa feliz, você faz com que ela encare o mundo (ao menos naquele dia, pelo menos por algumas horas) de maneira mais feliz e positiva, ela vai tratar as pessoas de maneira melhor e essas por sua vez vão fazendo o mesmo.

Quem nunca mudou completamente de humor por causa de uma rápida conversa com alguém? As vezes um simples ‘Bom dia’ torna o nosso dia melhor. Quando você faz um elogio inesperado a alguém, segura a porta para a outra pessoa passar, dá um sorriso para um desconhecido na rua que passa por você… Tudo isso torna a vida melhor, tanto para outra pessoa, quanto para você! E acredite, essas pequenas coisas fazem a diferença. Depois de sorrir para algum desconhecido que cruzou com você na rua, observe o rosto da pessoa e veja como ele se ilumina.

A grande questão é, você pode fazer a diferença e não precisa ser rico, ser ‘importante’ ou nada do tipo. A gente muda o mundo todos os dias, cada ação nossa influencia as pessoas ao nosso redor de alguma forma, positiva ou negativamente. A partir de hoje, passe a pensar melhor nas suas atitudes, passe a sorrir mais e tente fazer os outros felizes. Pequenos gestos fazem a diferença (e como fazem)!


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4 de março de 2016 / Blogueira Textos

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No final de novembro de 2015, fui contratada por um estudante de jornalismo para fazer alguns registros para o TCC dele. O tema era relacionado a cooperativas de lixo, para quem não sabe, são lugares onde o lixo é separado, prensado e vendido para ser reciclado.

Era quarta feira e lá estava eu, fotografando todo o pessoal da cooperativa durante o trabalho, quando tropeço em uma caixa e escuto alguns latidos bem baixos. Quando abro, encontro seis cachorrinhos com poucos dias de vida. Um deles logo me chamou mais a atenção, fiquei apaixonada logo de cara e depois que terminei de fotografar tudo o que precisava, voltei na caixa, peguei o filhotinho e fiquei brincando.

Um dos funcionários da cooperativa, o que cuida de todos os cães que moram por lá (Cerca de 10 adultos e, na época, 10 filhotes), me viu e disse “olha só, ele deu muito certo com você! Ele é meio na dele, não é de dar muito carinho, mas já tá até te lambendo”. Depois de alguns minutos ele voltou e disse “Olha, se você quiser, pode ficar com ele. Deu pra ver que vocês dois deram muito certo”.

A testa do Dylan sempre ficava franzida de um jeito que parecia preocupação, um jeitinho meio pidão, e acho que foi uma das coisas que mais me fez apegar nele nesse primeiro contato. Quando ele chegou aqui em casa, estava cheio de pulgas, piolhos e carrapatos, tinha doença de pele que foi transmitida pela mãe durante a gravidez e estava cheio de vermes. Mesmo assim, ele era tão alegre, que parecia ser o cachorro mais saudável do mundo.

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Lembro como se fosse hoje da primeira noite dele em casa. Ele convivia com outros 20 cachorros, nunca tinha ficado sozinho na vida e de repente, estava ali, de madrugada, tudo escuro e sem ninguém pra brincar. Não deu outra, ele chorou a noite inteira, só parou quando eu fiquei com ele durante duas horas e quando não aguentei mais o sono, tirei minha camiseta e enrolei nele. Não é que ele já tinha se acostumado com meu cheiro e dormiu em cinco minutos?

Nos primeiros dias ele não sabia como beber água na tigela, a gente tinha que descer um pouquinho a cabeça dele até a água pra ele conseguir beber, mas ele sempre aprendeu tudo muito rápido! Só fazia xixi no jornal depois de duas semanas, sem nenhuma ajuda desses produtos com cheiros que os veterinários recomendam.

Ele é extremamente carinhoso, é ainda mais brincalhão e um pouco exagerado, por isso, algumas brincadeiras acabavam deixando alguns arranhões. Sempre adorou andar de carro, fica sentado no nosso colo observando tudo que passa pela janela (mas não gostava de colocar a cabeça pra fora, como alguns cachorros adoram).

Na hora de passear, a gente pena um pouco, ele é muito forte e acaba puxando bastante. Ele sabe exatamente quando eu chego da faculdade e se ao sair do elevador eu não abrir a porta em dez segundos, ele começa a chorar. O nosso passatempo preferido é: eu sento no chão com perna de índio e ele fica no meu colo, cada um fazendo suas coisas – ele mordendo algum brinquedo ou dormindo e eu lendo ou mexendo no celular. Nessa, a gente ficava por horas.

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Ele acabou crescendo muito e mais rápido do que a gente esperava. Em quatro meses ele já se apoiava na minha cintura quando ficava em cima das patas traseiras. Foi aí que começaram os problemas…

Eu moro em apartamento e, como eu disse antes, o Dylan é muito brincalhão e adora investigar tudo. Como ele já estava grande, começou a alcançar os vasos de plantas da minha mãe e não pensava duas vezes antes de espalhar quilos de terra pela casa toda. Ele desfiou o sofá de tecido da sala, comeu meu cartão de crédito, minha carteirinha de passe de ônibus e meu cartão de memória (nele tinha um documentário que eu tinha que entregar na faculdade em duas semanas – eu não tinha uma segunda cópia). Ele comeu a agenda da minha mãe, roeu os pés da cadeira e rasgou o forro que fica na parte de baixo do sofá.

No final das contas, a gente percebeu que nossa casa era um lugar muito pequeno pra ele. Ele nasceu em uma chácara, faz parte da natureza dele correr quilômetros por dia e isso era uma coisa que a gente, por mais que desse todo o amor do mundo, não poderia proporcionar. Com o tempo, isso foi o afetando. O Dylan passou a ter o olhar triste e a cada dia ele parecia ter mais energia e mais vontade de correr e brincar.

Um dia, meus pais decidiram que não conseguiam mais manter ele aqui. No fundo eu sabia disso há algum tempo, mas não queria admitir, porque se eu admitisse, o Dylan iria embora. E ele foi.

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Hoje, ele está morando na chácara de um amigo da família, com outros cachorros tão brincalhões quanto ele e sendo muito bem cuidado pelo pessoal que mora lá. Deixar um ser vivo que a gente ama ir embora é a coisa mais dolorosa que existe.

Sei que ele está em um lugar muito melhor pra ele e nem por um dia deixo de pensar naquele bichinho. O Dylan me ensinou a ser mais cuidadosa, responsável, carinhosa e paciente. Me ensinou mais sobre o amor, sobre a lealdade e amizade.


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10 de janeiro de 2016 / Conversa de banheiro Textos

Social media on smartphone

A gente vive hoje na era das redes sociais, são incontáveis sites e aplicativos que visam a interação social e o número de novas redes e novos usuários cresce a cada dia. Compartilhar alguma foto legal do seu dia, um texto sobre alguma situação inusitada do seu dia, compartilhar algum evento legal, mostrar para os amigos algum bar legal que você está agora, fazer novos amigos… São inúmeras utilidades. O que a gente esquece é que ninguém posta tudo o que acontece na sua rotina ali, a gente só publica aquilo que “vale a pena” ser compartilhado, visto e comentado. As pessoas não compartilham ali suas dificuldades, suas dívidas, seus medos, suas inseguranças… quando compartilham, normalmente é em tom de piada e acaba passando despercebido por todos a sinceridade do que está por trás daquela brincadeira.

“Ah, Bruna, vai me dizer que tenho que publicar tudo da minha vida pra todo mundo ver?”

Claro que não! Pelo contrário, existem momentos que são uma delícia a gente ter só pra gente, sem centenas de comentários e opiniões. O problema, é que as pessoas não pensam que ninguém é online 24 horas por dia, acham que aquelas fotos compartilhadas nas festas, nas viagens, nos encontros com amigos, tudo sempre sorrindo, são a única realidade da pessoa fora da tela.

Entenda, o que está ali na rede é um recorte da realidade. Um recorte que a pessoa faz minuciosamente, ela escolhe exatamente o que as outras pessoas vão saber da vida dela. E pra deixar isso mais do que claro, selecionei dois exemplos:

O caso Essena O’Neill

Sabe as chamadas digital influencers? Pois é, essa era a realidade da australiana Essena O’Neill, que tinha mais de 500 mil seguidores no instagram e 200 mil inscritos no youtube. Acontece que em dezembro de 2015, a garota de 19 anos se cansou de tudo aquilo, apagou milhares de fotos, deixando algumas poucas com legendas editadas contando a verdade por trás de cada foto.

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Nessa aqui, ela diz que tirou cerca de 100 fotos parecidas até conseguir deixar a barriga perfeita. Ela conta que nesse dia quase não comeu e gritou com a irmã mais nova para que continuasse tirando fotos dela.
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Nessa, ela foi paga para divulgar um bronzeador e que só vestiu a roupa de ginástica para a foto. Depois ela questiona o padrão de beleza e pergunta porque devemos ser magras e estarmos sempre maquiadas para sermos consideradas bonitas para o “mundo real”

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Aqui ela diz que ganhou esse vestido para promover a loja, tirou incontáveis fotos tentando ser sexy para o instagram e que isso a fez se sentir terrivelmente sozinha.

Essena causou um alvoroço e trouxe à tona a discussão sobre a superexposição na internet e apesar de eu concordar com muitas das coisas que ela disse, acho que a culpa não é das redes sociais, como ela faz questão de afirmar. Afinal, são apenas sites, um punhado de códigos que juntos formam ali um espaço vazio para VOCÊ falar e fazer o que VOCÊ quiser. Concordo com o comentário que Zack James, ex-youtuber, publicou no seu perfil do facebook:

“Essena O’Neill está errada: mídias sociais não são uma mentira. Elas podem ser qualquer coisa que o usuário quiser. Deixar você mesma ser pressionada por uma falsa vida que a faz se sentir mal é o resultado de suas próprias ações e vontade”, ele ainda completou com as seguintes afirmações, “Culpar as redes sociais, dizendo que são uma mentira, só mostra sua falta de esforço para entender a si mesma. Sim, deletar seu Instagram é um passo na direção certa. Assumir sua responsabilidade pela própria infelicidade é outro. Essena O’Neill precisa procurar ajuda de verdade em vez de desviar sua responsabilidade para uma das maiores ferramentas de comunicação já produzidas pelo homem. Espero sinceramente que você se encontre, porque mídias sociais não são uma mentira, você era uma mentira”

De forma nenhuma quero dizer que a Essena está errada em fazer o que fez, em escolher mudar seu caminho e ser verdadeiramente feliz, longe da vida controlada que tinha, porém, ela não se tocou em nenhum momento que quem criou toda essa situação foi ela mesma. Ela se permitiu entrar naquela vida e teve, desde o início, a opção de não se submeter a todo aquele marketing.

 

A série fotográfica de Chompoo Baritone

Uma das poucas pessoas que não se renderam ao instagram, Champoo Baritone criou uma série fotográfica sarcástica em que mostra exatamente o que eu falei ali em cima: a gente divulga só um recorte da nossa realidade. Ela mostrou como as fotos do instagram não contam toda a verdade do que está acontecendo na vida de quem está postando aquele registro e que as coisas não são tão perfeitas como aparentam na rede social.

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Mostrei isso tudo pra vocês não com a intenção de fazer todo mundo sair das redes sociais, mas para abrir os olhos de vocês para a realidade. Como a Essena gosta de dizer, as mídias sociais não são a vida real, então não se deixe levar pela ideia que tudo o que é mostrado ali é uma completa verdade. As pessoas postam fotos felizes, sorrindo, mas podem estar vivendo uma crise depressiva terrível, você não faz ideia e nem vai saber se não sair da frente da tela do celular ou computador  e conversar olho no olho com a pessoa. As redes sociais são uma forma incrível de interagir com as pessoas ao seu redor, só não se esqueçam que elas nunca vão substituir um abraço, uma conversa frente a frente… elas não substituem momentos reais.


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18 de setembro de 2015 / Conversa de banheiro Textos

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O ser humano é feito de lembranças, experiências, aprendizados. Possuímos um cérebro que consegue armazenar tudo aquilo que julgamos ser importante para nossa vida. Imagina que terrível seria se a gente simplesmente perdesse as nossas memórias? Esquecêssemos quem são nossos parentes, esquecer completamente de dias especiais, esquecer onde fica cada cômodo da nossa casa…. Bem, isso acontece, infelizmente.

Semana passada eu e meu pai assistimos o filme “Para Sempre Alice”, que rendeu o oscar de melhor atriz para Julianne Moore (para quem não sabe, o filme mostra o dia a dia de Alice, uma professora universitária que descobre sofrer de Alzheimer precoce). Terminamos eu e ele chorando, mas não por ser um filme triste, mas porque nós dois lembramos do meu avô, que sofria da mesma doença e faleceu há alguns anos.

Eu era bem nova quando descobriram a doença do meu avô, não entendia muito bem o que era aquilo e porque ele tinha aquela doença, eu só sabia que ele esquecia das coisas com maior frequência. Ninguém nunca sentou e explicou pra gente, os netos mais novos, o que era aquilo, porque acontecia, como isso afetaria as nossas vidas e coisas do tipo, eu só sabia o que ouvia de algumas conversas entre meus pais e tios, e das poucas perguntas que tinha coragem de perguntar.

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No início eu não percebia os sinais e achava que meu avô não tinha nada de errado. Pra quem é criança, doença só é doença de verdade se te deixa abatido, magrelo e fraco, então, pra mim, a doença do meu avô era ainda mais dificil de entender. Porque era assim, meu avô era fisicamente super saudável, mas lá no cérebro, as coisas estavam indo de mal a pior. Primeiro ele não lembrava compromissos, depois datas… Passou a usar fraldas na hora de dormir porque não encontrava o banheiro de noite e fazia xixi nas calças… Adquiriu manias engraçadas, tipo a mania de economizar: passou a desligar todos os eletrodomésticos da tomada antes de dormir (sim, até a geladeira e o congelador, com todas as comidas dentro); desligava as luzes de todos os cômodos, independente se tinha ou não alguém dentro; quando tinha promoção no supermercado, comprava em excesso (comprava uma quantidade tão grande que perdia antes de consumir a metade) e por ai vai.

Passou a confundir o presente com o passado, ele não aceitava que morava em Goiânia, na cabeça dele, ele estava ainda em Patos de Minas, a cidade que ele nasceu e cresceu. Jurava que ainda tinha imóveis que já havia vendido há anos (e brigava com todo mundo por causa disso, era preciso mostrar os documentos da venda e mesmo assim ele não aceitava), achava que parentes já falecidos ainda estavam vivos… basicamente, a cabeça dele voltou a viver a juventude dele.

Por fim, ele passou a esquecer as pessoas… Não me lembro de quem ele esqueceu, mas nesse ponto da doença eu tive uma experiência muito marcante com meu avô: eu cheguei na casa dele e da minha avó para o (sagrado) almoço de domingo em família, ele me cumprimentou “Oi, bruninha! Deus te abençoe” e começou a brincar comigo de bater um na mão do outro. Depois de um tempo, eu fui fazer alguma outra coisa e ouvi meu avô questionando minha avó sobre qual era o meu parentesco com ele, “A Bruna é minha sobrinha?”, ouvi ele perguntando. Acho que só nesse ponto, percebi o quão séria, devastadora e triste essa doença é.

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Por fim, meu avô morreu. Mesmo nos estágios mais avançados da doença ele manteve toda a alegria que sempre teve, sempre fazendo piadas (as vezes repetia a mesma piada a cada hora, porque esquecia que já tinha contado) e brincando com todo mundo e é isso que eu mais guardo dele, o carinho e o bom humor que ele sempre teve comigo.

É muito doído lembrar disso tudo, mas depois de assistir à atuação pura e tão real da Julianne Moore (eu e meu pai identificamos tantas coisas que meu avô fazia), acabei precisando escrever tudo isso, colocar para fora o que guardei por tantos anos. Para quem está passando pela mesma situação, deixo aqui alguns recados: seja paciente, não é culpa da pessoa ela não se lembrar das coisas, não desconte suas frustações nela. Se aproxime, fique o máximo de tempo possível com essa pessoa, ao contrário do que todo mundo pensa, eles não querem se isolar, é só ter alguém com quem conversar que eles vão contar todas as aventuras que tiveram quando jovens. Por fim, aceite a doença que a pessoa tem, não tente fingir que está tudo bem, que não é grande coisa, quem está passando por isso precisa de ajuda e muito amor.


 

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19 de agosto de 2015 / Conversa de banheiro Textos

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As pessoas podem falar o que quiserem, mas eu sempre gostei da Selena Gomez, desde a época de Feiticeiros de Waverly Place e me deixa triste dizer que ela se tornou um exemplo do que não ser, pelo menos, no que diz respeito aos relacionamentos amorosos. Todo mundo conhece a longa e enrolada história que ela tem com o ex, Justin Bieber.

Há um mês ela soltou a música “Good for You” no youtube e claro, deu muito o que falar, porque foi claramente escrita pro ex. Pra quem não ouviu ou não procurou saber a letra, ela diz basicamente que ela quer estar bonita pro cara, vai se arrumar do jeito que ele gosta, que quer mostrar que tem orgulho de ser dele…

Quem nunca se sentiu assim por uma pessoa né? Essa paixão toda, um desejo de mostrar/provar que é a melhor garota do mundo pra pessoa… é perfeitamente normal! A coisa muda quando vocês já terminaram e a pessoa já deu mil mancadas com você, como é o caso ‘Selena e Justin’.

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Eu acredito que todo mundo merece uma segunda chance, que toda história merece uma segunda chance, mas para por aí. Correr atrás de alguém que não te quer não é uma opção. Aprendi nos últimos meses que o amor próprio deve vir antes de qualquer coisa, que na vida a gente tem que ser um pouco egoísta e pensar um pouco no nosso próprio bem-estar antes, porque mais ninguém vai pensar nele.

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É engraçado como a gente pode acabar se jogando num relacionamento e dar tudo por ele, sem nem parar para pensar em como a gente sente em relação às coisas que acontecem e como muitas vezes nem percebe que é um caso perdido. Nos prendemos à uma pessoa e situação por costume, por medo, por ilusão… acabamos esquecendo que as vezes, deixar ir é a atitude mais saudável, que vai nos trazer maior felicidade.

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Quando terminamos um relacionamento, todas as nossas amigas vêm nos dizer coisas incríveis sobre a gente, dizer que merecemos coisa melhor, que o azar é da pessoa de nos perder… bem, esse é o papel das amigas não é? Mas eu garanto para você que, sim, você é incrível exatamente como você é, com seus defeitos e qualidades, não tem que mudar nada por ninguém e no fim das contas, a vida continua e você vai achar alguém que te dê o seu merecido valor. Você precisa ser boa pra você mesma e fim.

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1 de junho de 2015 / Textos

uma chama de inverno

O inverno daquele ano havia chegado de forma rigorosa. A lua cumpria seu papel e prateava aquela noite assustadoramente negra. Pequenos pontinhos brancos caíam do céu e se encaixavam em tudo o que estivesse ao seu alcance pintando a paisagem. A temperatura parecia cair cada vez mais. O asfalto estava coberto de gelo e as casas mal podiam ser vistas por baixo do grosso manto de neve.

Ele estava no seu lugar de sempre, escolhido entre jornais, papelão e alguns trapos que um dia foram considerados cobertores. Há algumas semanas havia encontrado esse shopping center a céu aberto e tomou pra si um beco coberto entre duas lojas; uma de ferramentas, outra de cosméticos. Todo dia prometia a si mesmo que encontraria outro lugar, mas parecia que o inverno não perdoava e cada vez que a noite chegava perdia a coragem de sair dali. Já havia desistido de encontrar um abrigo que o aceitasse, nessa época do ano não havia mais nem uma única cama disponível e as filas para uma noite também estavam longe de serem animadoras. Aquele era seu canto no mundo, feio, precário e esquecido, mas ainda assim era seu canto.

Ajeitou seus trapos e se encolheu quando viu os flocos de neve caindo do céu. Seria mais uma noite daquelas, pensou. Não era muito tarde ainda, mas o fluxo de pessoas que estavam passeando ali estava surpreendente. Podia ouvir risadas e trechos de conversas banais.

As pessoas que passavam por ele apressavam o passo com medo e desconfiança, mas não as julgava, também sentiria um certo desconforto se não fosse ele naquela situação. Não se sentiu incomodado, só queria um lugar para descansar um pouco e não pensar no que faria no dia seguinte. Assim que se sentiu razoavelmente confortável, seu estômago roncou alto e ele se permitiu murmurar uma reclamação alta.

Uma mulher muito bem vestida e devidamente agasalhada passou por ele e, assim como os outros, andou mais rápido. Nem se deu ao trabalho de prestar atenção em suas feições, as pessoas eram como sombras que passavam por ele. Como se nunca pudesse tocá-las, tampouco pertencer ao mesmo mundo que elas.

Tentando esquecer o frio e a fome, se obrigou a dormir um pouco, talvez quando abrisse os olhos estaria tudo um pouco menos pior. Como não podia contar com a chegada da primavera tão cedo, tinha a esperança de que quando abrisse os olhos seria acordado com a luz do sol aquecendo sua pele e driblando um pouco o inverno.

Algum tempo depois foi acordado com o barulho de passos desajeitados. Droga, ainda não era dia, pensou com desprezo. Ergueu o rosto buscando o ruído e tentou distinguir com olhos cansados os contornos da pessoa que andava em sua direção. Reconheceu a mulher que havia passado por ele por causa de suas roupas escuras que pareciam ser muito quentes e confortáveis, lembrava de ter pensado. Ela carregava várias sacolas nos braços enquanto tentava se equilibrar nos saltos que definitivamente pareciam caros. Por alguns segundos considerou a hipótese de ajudá-la, mas teria que sair de seu canto e temia que ela fosse gritar ou agredi-lo se chegasse perto demais. Estava enganado.

Chegando perto dele, a mulher se agachou e, apesar do frio congelante, deu um sorriso capaz de aquecê-lo de dentro para fora. Ela tinha um sorriso bonito, pensou.

– Boa noite, senhor, desculpe incomodá-lo. Não é muito, mas espero que seja do seu agrado. A noite de hoje está castigando de verdade. – Com isso ela se levantou, sorriu novamente e se afastou, dessa vez andando de maneira mais segura.

Ele abriu as sacolas e arfou surpreso. Não pôde deixar de olhar em volta para ver se havia algo errado. Ela havia lhe dado dois novos e espessos cobertores, várias meias que pareciam bem resistentes, um casaco preto bem grosso, luvas de couro e dois gorros. Ao abrir as outras sacolas quase queimou a mão com as embalagens quentes de sopa e café.

Não esperou nem um segundo para atacar o primeiro pote de sopa, nem se importou em queimar os lábios. Encontrou na sacola de comida algumas fatias de pão e quase gemeu de satisfação. Estava louco para vestir o novo casaco e se encolher nos cobertores, mas o frio teria que esperar, aquilo estava bom demais. Depois de se esbanjar com a comida e se deliciar com o café, arrumou seu canto da melhor maneira possível e se sentiu satisfeito ao deitar. Não se sentia assim há muito tempo.

Os flocos de neve continuavam caindo e ele deixou sua mente vagar pelo inverno. Que engraçado, ele pensou. “Não é muito”, ela havia dito, mas para ele ela havia dado tudo.

Post original em Nostalgia Cinza.

Escrevi esse conto para uma prova da faculdade e decidi postar aqui. O que achou? Gostou do conto? Já escreveu algum parecido? Não deixe de comentar!


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1 de abril de 2015 / Textos

amor salgado

Sabe, querido… Esses dias, entre mais uma troca de cores no céu, algumas imagens dançaram em minha mente.

Eu estava pensando naquelas praias desertas, secretas e escondidas, como você mesmo já mencionou certa vez. A gente podia construir nossa casinha daquele jeito em que sonhamos acordados de vez em quando. Nosso paraíso particular a alguns passos do mar, logo na areia, com um quintal improvisado na parte de trás e uma varanda de madeira ocupando toda a frente do nosso cantinho. Dois andares modestos com cômodos pequenos e simples, com um quarto quadradinho e aconchegante, mas com um banheiro um tanto quanto extravagante. Com uma banheira com vista para o mar e aquelas janelas gigantescas que você jurou que me daria um dia.

A gente nem precisa de tanta coisa, me contentaria com uma televisão meia-boca só para nos entreter quando o clima não permitir e depois de ter ouvido a sua bronca por querer fazer algo tão infantil quanto ficar lá fora na chuva. A gente podia ter uma rede na varanda. Eu sei que você sempre quis ter uma daquelas redes enormes, mas posso confessar um segredo? Prefiro aquelas normais, pequeninas mesmo, só pra você ter que me espremer entre as suas pernas e sobre seu peito, pra você não ter escolha a não ser passar os braços em volta de mim. Mas se for pra convencer você a se mudar pra praia comigo, aceito a rede maior, vou dar um jeito de me aconchegar em você de qualquer maneira, você sabe que sou boa nisso.

Se você aceitar morar na praia comigo, vai poder ter aquele jipe que sempre me mostrou nos catálogos, eu nem gosto mesmo. Juro que não reclamo do vento no cabelo quando você me arrastar para algumas voltas. Até deixo de insistir em pegar no volante também só pra manter esse sorriso leve no seu rosto. Se você aceitar morar na praia comigo juro que tento não reclamar tanto do calor, até te faço companhia pra caminhar durante o dia se você prometer dançar comigo na areia de noite. Deixo você me arrastar pra fora pra ver a lua; vou tremer com o frio do vento e sorrir pro calor do seu abraço. Vamos ter um lugar pra colocar aquele telescópio antigo do seu avô, a gente observa o céu enquanto você me mostra as estrelas jurando que sabe do que está falando e eu juro que acredito. Se você acender aquela fogueira que uma vez me confessou que sabia fazer, prometo me enroscar em você. Contanto que você toque alguma coisa na sua gaita também, claro. Posso até te fazer rir com minha voz enferrujada e minhas notas desafinadas. Você adora rir da minha empolgação.

Preciso de um espaço para os meus livros, uma estante qualquer ao lado da sua poltrona favorita. Se você cumprir a promessa de ficar sem camisa o dia inteiro, leio em voz alta algum trecho dos meus romances bobos, aqueles que você morre de ciúmes. Prometo deixar sempre no sofá o cobertor que você tanto ama, faço também o sacrifício de comprar algumas cervejas que você, por mim, finge não gostar. Não me incomodo tanto assim, não sendo você.

Vamos morar na praia? A gente faz amor no mar ou se preferir deixamos o romance de lado e só nos agarramos na areia mesmo. Fica me vendo fazer yoga na areia? Eu deixo você rir de mim nas vezes em que eu cair, contanto que você me dê um beijo e me pergunte se doeu. Fico um dia inteiro só usando uma camisa branca qualquer. Deixo você me molhar o quanto quiser, seu olhar intenso vale qualquer coisa. A gente realiza o sonho de ter dois cachorros grandes correndo por aí, te provaria que não sou uma mulherzinha e construiria eu mesma a casinha deles. Bom, pelo menos eu tentaria. Você acabaria tendo que intervir às gargalhadas e terminaria o trabalho, mas pelo menos meu ponto estaria provado. Até te daria um pug pra ficar roncando pela casa, nunca vi um homem do seu tamanho gostar de um bichinho desses.

Prometo me desdobrar na cozinha mesmo não tendo talento nenhum pra isso, você bem sabe. Prometo ser paciente em toda a minha impaciência, ser mais calma em meio a toda a minha tempestade interior. Tenho certeza de que a gente se encontra no meio de toda a nossa contradição.

Quero ver meu esmalte escuro se desfazendo facilmente por causa da maresia. Quero sentir o cheiro do oceano na sua pele, ver o brilho das ondas no seu sorriso e ouvir a mais pura beleza na sua risada alta e grossa. Quero me encontrar em seus braços em baixo de um pôr do sol salgado e sentir o gosto do mar na sua língua. Nua sob seu corpo, despida de qualquer melancolia. Me permite esse devaneio doce e morno? Esse amor azul e fresco? Essa vontade aguda e quente? Então, querido, muda pra praia comigo?

Texto original no blog Nostalgia Cinza.


 

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laura



4 de fevereiro de 2015 / Conversa de banheiro Textos

Todo mundo já achou que seria pra sempre, até porque, o que seriam dos relacionamentos sem a esperança? Nem sempre dá certo, na verdade, quase nunca. Uns lidam bem, outros não se livram da sensação de que seria pra sempre, de que eram feitos um pro outro… Não se livram do amor.

Não é fácil esquecer alguém que ficou na nossa vida e no nosso coração por meses, não dá pra esquecer simplesmente de uma hora pra outra. As vezes acontecem até os famosos ‘flashbacks’, uma coisa muito estúpida que te faz permanecer presa à pessoa que você está tentando tanto (ou não) esquecer.

Ok, você está solteira depois de muito tempo (ou nem tanto) e agora? Voce tem que superar. Tem os fortes que seguem em frente, que lidam bem com términos e recomeços (afinal, é sim um recomeço, você muda sua vida, querendo ou não, por alguém e agora ela se foi, é preciso fazer um rearranjo de tudo) e tem quem não consiga, quem vai se afundando num poço sem fundo e existem diversos tipos de poços… Tem quem se droga, tem quem bebe, tem quem fica com mil outras pessoas pra simplesmente fingir que é aquele que tanto ama, tem quem faz isso tudo junto.

Mas, pra todo mundo tem o vazio, pra quem encara sorrindo e seguindo em frente e pra quem se deixa afundar no poço sem fundo. A maneira como reagimos ao término varia de pessoa pra pessoa, mas cabe a nós e somente a nós mesmas mantermos o controle sobre as reações que temos e sobre o que fazemos.

Não é fácil, é claro, e nem algo que se controle facilmente, mas tentar e resistir à vontade de se entregar ao que der e vier, é fundamental. Não jogue sua vida no lixo por alguém que não deu certo. Eu acredito em destino e se não deu certo, é porque tem coisa melhor vindo pela frente, coisa que te fará mais feliz, que te fará sofrer menos, ou talvez mais… A vida tem dessas, de ensinar da maneira difícil.

Quando estiver com alguém, curta, curta ao máximo cada momento, da maneira que for e que der, mas não se deixe desabar se não der certo no final. Tem um mundo inteiro pela frente e milhões de pessoas pra conhecer.


Fiz esse texto depois de finalmente parar pra assistir o clipe da Tove Lo, sim, Habits que foi lançada há um ano atrás e eu só fui escutar agora hahah Depois de muito tempo, finalmente um textinho meu por aqui né? Espero que tenham gostado!


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30 de dezembro de 2014 / Textos

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Os últimos dias do ano estão finalmente se arrastando e a gente vai vendo o calendário acabando cada vez mais rápido. Já está chegando a hora de reler todos aqueles clichês de “novo ano, novo eu”, “Página 1 de 365” e etc. Clichês nas palavras e nas atitudes. Esse ano vou levar a academia a sério, esse ano vou largar meu emprego, esse ano vou tomar vergonha na cara e terminar com o encosto, esse ano vou mudar de vez tudo aquilo que não gosto em mim. Soa familiar?

Eu, assim como praticamente todas as pessoas sãs no planeta, sempre estabeleci metas para o ano que está começando – mesmo que uma das metas fosse não ter metas. Percebi que muito daquilo que eu queria era superficial e, infelizmente, material. E mesmo aqueles desejos inocentes como terminar uma história que estava começando a colocar no papel eram muito complexos e demandavam muito tempo e dedicação que nem sempre eu podia dar. Hoje, tentando absorver tudo o que vivi nesse ano, percebo que aqueles momentos pequenos, praticamente insignificantes, foram os que mais me marcaram de alguma forma. Sou dessas românticas incorrigíveis que se lembram mais de um sorriso do que de um presente, que guarda um olhar, mas não guarda uma data. Meu ano não foi tão cheio de momentos marcantes e gigantes, mas foi – ainda bem – repleto de pequenos detalhes inesquecíveis.

Quando estava pulando minhas sete ondas e dando uma rosa vermelha de presente para o mar, desejei muita coisa que não dependia de mim, muita coisa que, no fundo no fundo, eu sabia que não acrescentaria nada significante. O ano novo não chegou pra mim ainda e sei que esse ano quero algo diferente, quero algo mais simples e sincero. Em 2015 eu quero me apaixonar.

Quero me apaixonar por lugares novos, por algum chão que nunca pisei antes. Quero me apaixonar pelo ar fresco de algum ambiente que até então era inédito para mim. Quero me apaixonar por momentos que sei que não vou ter de volta, por sensações que vão ficar para sempre impregnadas em mim. Quero me apaixonar por sorrisos, por risadas altas e gostosas. Quero me apaixonar por olhares, por toques discretos, por mãos dadas. Quero me apaixonar por abraços, por carinhos. Quero me apaixonar por novas perspectivas, por novos colegas, por novos amigos. Quero me apaixonar por um trabalho, por um livro, por um filme, por uma nova história. Quero me apaixonar pelo vento, pelo mar, pelo céu. E, se todas essas paixões não forem o suficiente, quem sabe não quero me apaixonar por alguém que faça meu coração bater um pouquinho mais rápido?

Nesse ano que está começando, ao invés de fazer promessas que, cá entre nós, você sabe que não vai cumprir, procure se apaixonar. Apaixone-se por um sorriso discreto, por uma risada solta, por um frio na barriga. Apaixone-se por quem você não via há tempos e por quem você vê todo dia. Apaixone-se por um lugar novo, por um lugar velho, por um sonho. Apaixone-se por alguém que gosta de se sujar, de rolar na grama, de brincar como criança. Apaixone-se por um pensamento, por uma ideia. Apaixone-se por uma mordida de amor, por um abraço de adeus. Apaixone-se por um velho amigo, por um novo amor. Apaixone-se por um dia, por uma data, por uma manhã. Apaixone-se por um flerte, por uma conversa de bar, por um encontro casual. Apaixone-se por um pôr do sol, por uma lua minguante. Apenas… apaixone-se.

Você não precisa de um grande amor para se apaixonar, basta uma mente aberta e um brilho nos olhos. Um quê de esperança faz bem pra qualquer um, mesmo que esse qualquer um seja você.

Deixei minhas metas e promessas de lado e estou me arriscando com algo mais romântico e sincero -e, convenhamos, bem mais complexo também, né? Esse ano estou aberta para novas paixões.

Quer fazer uma promessa de ano-novo? Promete tentar se apaixonar. Aqueles quilinhos que você perdeu se matando na esteira vão, sinto lhe informar, acabar correndo de volta pra você, mas aquela oportunidade que você deixou passar não vai voltar. Sorria de volta para alguém diferente que te olhar na rua, você vai se apaixonar pela sensação de ser correspondido.

Espero que 365 dias depois que o último fogo de artifício estourar no ar você esteja mais leve e apaixonado por qualquer simplicidade que tenha agradado seu coração ao longo do ano. Espero que surpresas façam com que eu e você nos apaixonemos com um sorriso no rosto. Nesse ano que está começando desejo toda a sorte do mundo para nossos corações, eles vão precisar de uma ajudazinha, né? Em 2015, bora se apaixonar comigo?

Vem conferir essa e outras crônicas no meu blog, Nostalgia Cinza.

laura