11 de julho de 2014 / Textos

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Já fazia pouco mais de um ano que eu tinha abandonado de vez o Orkut. Não sentia tanta falta assim mais. Quase não ligava. Quase.

Hoje recebi a notícia de que o Google tiraria o Orkut do ar esse ano, seria o fim definitivo da rede social mais conhecida por muitos dos usuários antigos da internet brasileira. Tudo bem, o Orkut já não era mais o mesmo, já fazia uns dois anos que praticamente ninguém entrava no seu perfil e quem ainda usava o site tinha que escutar umas boas risadas daqueles que migraram há tempos. Sei disso tudo. Mas ainda fiquei surpreendentemente chateada quando vi que o Orkut iria acabar de vez.

Eu tinha acabado de criar o MSN, aquele antigo mesmo, quando meu primo me convidou para entrar no Orkut. Naquela época, não era qualquer um que podia criar uma conta e pronto. O Orkut ainda recebia seus usuários através de convites e só quem recebia um convite de um usuário poderia criar um perfil no site e assim convidar mais amigos. Quando criei a minha conta, não fazia ideia de como iria usar aquilo ali, era tudo muito novo pra mim. Eu era bem nova então tive tempo de sobra para começar a fuçar tudo daquele site. A partir daí, tudo só evoluiu.

As comunidades foram o que me fizeram ficar de vez no Orkut. Eu passava horas procurando comunidades com títulos engraçados e ficava louca para participar como se aquilo acrescentasse muito à minha vida. Fui adicionando os amigos que conseguiam entrar no site e ficava desorientada com o limite de 25 fotos. Com o tempo, o site começou a ficar pequeno demais para mim. Mas isso não durou muito.

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O Orkut começou a crescer e cada vez mais pessoas ficavam loucas para entrar naquela comunidade, até que o acesso por convite acabou. Foi um estouro. O número de pessoas que começaram a entrar no Orkut era absurdo e empolgante para quem crescia com o avanço dessa rede social. Se contentar apenas com o seu perfil pessoal no Orkut já não era mais o suficiente. Nasceu a era dos fakes.

Naquela época, os ídolos pop estavam em todo lugar, inclusive no Orkut. Algumas pessoas começaram a criar perfis dedicados aos seus ídolos e isso não parou mais. Só que não bastava mais criar um perfil dedicado ao ídolo, você queria assumir outra identidade. Agora para fazer amigos, você não precisava se importar em tirar uma foto bonita para colocar de perfil, seus ídolos faziam isso por você. Lembro que criava vários perfis com personalidades diferentes, era como se em cada perfil eu pudesse me identificar com alguma coisa. As comunidades cresciam cada vez mais e ficaram mais divertidas. Era impossível passar pouco tempo nelas. Elas começaram a representar grupos específicos e ao mesmo tempo variados, qualquer um podia se identificar com algum grupo, com alguma comunidade.

Uma coisa que sempre me impressionou foi a quantidade de pessoas que abraçaram essa rede social. Eu participava de várias comunidades e em cada uma delas havia um grupo gigantesco de pessoas. Era inacreditável. Naquela época, com essa coisa de redes sociais ainda surgindo, ficava surpresa com a facilidade de conversar com alguém que morava tão longe de mim. Conheci pelo menos uma pessoa de cada estado e às vezes algumas pessoas nem no Brasil moravam. Para mim, o Orkut marcou o começo da minha vida na internet, porque comecei ali e nunca mais me desconectei.

 

A “era fake” durou anos. Muita gente não conhecia esse mundo à parte do Orkut, mas quem conheceu sabe do que estou falando. Aquilo era simplesmente fantástico. Conheci tanta gente legal que acrescentou tanto à minha vida… Como toda dona de um perfil fake que se preze, tive meus casinhos no Orkut e vivi histórias incríveis, algumas até evoluíram para a “vida real”. Coincidências maravilhosas e casos engraçadíssimos nunca faltaram pra mim enquanto acessava meu perfil. Tive minhas decepções também, claro. Mas faz parte.

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O Orkut me marcou tanto porque foi o site que começou a me direcionar. Deixa eu explicar… Na época dos fakes, existiam as chamadas doações de fotos e os perfis mais populares eram aqueles que editavam as fotos e disponibilizavam as edições nos seus álbuns – o limite de fotos havia acabado, graças a Odin. Comecei a usar o PhotoFiltre Studio e o Photoshop nessa época; descobri que aprendia rápido os tutoriais e os perfis começaram a fazer sucesso. Meu gosto por fotografia começou ali já que comecei a tirar algumas fotos para postar e vi que minhas edições não era as piores. Além disso, foi participando das comunidades que percebi que era boa nos debates, que eu sabia argumentar. Os assuntos sobravam nas comunidades e gente para debater não faltava. Além de oferecer discussões, as comunidades também serviram de jornal para mim que naquela época não gostava de ler notícias do jeito convencional.

Mas acho que a maior contribuição que o Orkut me deu, foi o hábito de escrever. Foi no Orkut que descobri que eu sabia escrever e que eu amava aquilo. Comecei lendo fanfics, web novelas. Me apaixonei logo de cara. Passava horas do meu dia lendo histórias inventadas por meninas da minha idade. Era tudo muito democrático; você não precisava ter o perfil mais pop ou ser conhecida em uma comunidade, você escrevia um capítulo de uma história, criava um tópico, postava ali e pronto, esperava. Li algumas histórias e antes que eu me desse conta, estava escrevendo as minhas. Postava como quem não quer nada e com o tempo percebi que as pessoas gostavam das minhas narrativas e algumas até pediam mais. Criei minha própria comunidade onda postava minhas fanfics e vi meu trabalho crescendo devagar, aos poucos. Quando me dei conta, não escrevia mais fanfics, escrevia histórias com personagens criados inteiramente por mim, sem inspirações externas. Nunca mais parei.

 

Gostava de participar também de comunidades de leitores. Muitos dos meus amigos amavam ler como eu então nunca faltava indicações. Acho que foi ali que comecei a escrever minhas primeiras resenhas, apenas para mandar para um ou outro amigo. Enquanto na escola muitos achavam ridículo ler tanto e tentavam me desmotivar, no Orkut eu tinha um incentivo sem igual. Conheci pessoas que gostavam de ler e por causa delas continuei. Sou extremamente orgulhosa por nunca ter parado e os mesmos que zombavam de mim por ler, hoje me pedem ajuda para escrever redações e interpretar textos. Ler não leva a lugar nenhum, né?

Hoje posso dizer que sou viciada em redes sociais. Mesmo não gostando muito do Facebook, tenho minha conta, estou no Tumblr, Twitter, Instagram, Pinterest, Skoob, We Heart It, Blogger, etc. E foi por causa do Orkut que conheci essas redes sociais, direta ou indiretamente. O Tumblr, que com o Twitter é minha rede social favorita, apareceu pra mim em uma comunidade no Orkut e com alguns amigos. Minha escrita evoluiu ainda mais porque naquela época o Tumblr era o lugar dos escritores, dos textos dramáticos e expressivos. O Twitter se tornou um complemento do Orkut. Até conta no Formspring eu já tive porque todo mundo no Orkut tinha.

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A última – e talvez a mais especial – etapa foi a das irmandades. Entrar para uma irmandade era algo exclusivo e muito animador. Existiam irmandades para uma saga, uma série, um ator, uma atriz, tudo. Mas para entrar em uma irmandade, você precisava passar por toda uma seleção para se mostrar digno, só um fã de verdade conseguia. As seleções das grandes irmandades duravam quase um mês e dezenas de pessoas participavam, era uma questão de status e fanatismo. A seleção que eu participei era para uma irmandade dedicada à atriz Nina Dobrev e a seleção apareceu para mim por acaso. Eu conhecia duas ou três meninas que participavam da irmandade e não deixei a chance escapar. Passei na minha primeira tentativa e foi uma das melhores coisas que aconteceram para mim em todos os anos em que eu usei o Orkut. Conheci garotas maravilhosas que se tornaram essenciais na minha vida a partir de então. As séries que comecei a assistir eram indicações das sisters, alguns livros também. A gente passava madrugadas conversando e rindo sobre as coisas mais inúteis. Cada uma morava em uma parte do país, cada uma tinha um jeito diferente, uma personalidade diferente, e nada disso impediu que um vínculo incrível se formasse. Isso é o que eu mais sinto falta. O Orkut me apresentou pessoas maravilhosas que levo até hoje comigo. Algumas coisas nunca mudam, assim eu espero.

Foi conversando com uma das minhas amigas de Orkut que criei coragem para viajar “sozinha” pela primeira vez e essa foi uma das melhores decisões que já tomei em toda a minha vida. Criei coragem de viajar para os Estados Unidos com um grupo que não havia trocado mais do que algumas palavras e foi uma experiência fantástica.

Passei anos frequentando assiduamente o Orkut e não me arrependo de absolutamente nada. Vi o Orkut mudando de todas as formas possíveis e continuei mesmo quando uma enorme parcela migrou para o Facebook e para outras redes sociais. Eu, assim como a outra minoria, fiquei no Orkut até quando foi possível. E foi ótimo enquanto durou.

Com o tempo, a graça já não era mais a mesma. As outras redes sociais me satisfizeram mais. Eu amadureci e procurei outros lugares para compartilhar meus novos gostos e talentos. Sempre que batia uma nostalgia básica, voltava ao Orkut e passava pelas comunidades e perfis de amigos. É triste saber que não vou mais poder fazer isso depois de Setembro, aquele cantinho gigante não vai mais existir nem pra mim nem pra ninguém.

Acho que como tudo na vida, o Orkut tinha que acabar uma hora ou outra. Mas fico feliz em saber que estive presente em cada momento, que cresci com essa rede social, que pude acompanhar tudo de pertinho, de dentro. O Orkut significou para a minha geração, o que o Facebook hoje significa para a geração que está começando a navegar na internet. É nostálgico ter que visitar pela última vez coisas que fazem parte de você, que te marcaram de maneira irrevogável. Mas fazer o que? Sou grata por tudo o que aprendi nesse site, por todas as pessoas incríveis que eu conheci, por todas as histórias que tenho para contar e por tudo o que eu tive oportunidade de viver. Acredite ou não, o Orkut foi fundamental para a minha futura vida profissional e definitivamente fundamental para a minha vida pessoal.

Sim, foi só uma rede social. Mas foi a rede social responsável por moldar a minha adolescência e grande parte da minha personalidade. Novas redes sociais vão surgir e o Orkut vai acabar sendo esquecido por quase todo mundo. Quase.

Post original no meu blog Nostalgia Cinza, se gostar não esqueça de curtir e comentar.

E você? Viveu essa época maravilhosa do Orkut? Vai sentir falta?

laura



30 de maio de 2014 / Textos
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 Eu tenho um vício. Admito. Acho que o primeiro passo é admitir que temos um problema; e eu tenho um.

 

            Cada pessoa tem umas manias estranhas, pequenos vícios peculiares. Eu mesma tenho várias manias que gostaria de deixar para trás, algumas são bastante comuns e facilmente compreensíveis. Mas tenho um vício que me persegue e que quase ninguém entende. Nem sei bem se essas confissões podem ser definidas como vícios. Acho que estão mais para características chatas e de revirar os olhos.
            Leio bastante, isso todo mundo já sabe. Mas esse amor pela leitura me trouxe um vício ordinário: só consigo ler livros físicos e meus. Em outras palavras, preciso necessariamente comprar o livro que quero ler. Não adianta pegar emprestado, não curto. Isso é uma droga e vou explicar o porquê.
            O primeiro motivo é bem óbvio; não é fácil bancar alguém que lê muito, muito menos no Brasil onde os livros não são tão baratos. Acabo tendo que juntar uma quantidade razoável para gastar quase tudo numa única ida à livraria ou em uma rápida passada num site qualquer. A ansiedade é outro motivo que me prejudica muito. Como leio muitas séries e sagas, sempre estou esperando um novo lançamento, e muitas vezes demora um pouquinho até o livro chegar no Brasil. Enquanto isso, o livro já está na internet há séculos zombando desse meu pseudo-TOC. Sou obrigada a ver spoilers bombásticos e novidades imperdíveis enquanto sofro no aguardo da boa vontade das editoras brasileiras. Como todo louco tem suas loucuras, também não consigo “misturar idiomas”. Se eu comecei a ler uma saga em português, tenho que lê-la em português até o último livro. Assim também com o inglês. Vai entender. Não sei se na minha cabeça as histórias, personagens e falas vão ser diferentes, só sei que não é a mesma coisa.
            Por que tudo isso acaba valendo a pena pra mim?
            A sensação de levantar da cama de madrugada numa noite de insônia e olhar para aquela prateleira enorme e cheia de livros para escolher, é calmante. Poucas coisas são melhores do que deitar no sofá em uma tarde meio preguiçosa, pegar um copo bem gelado de Coca e passar as páginas de um livro maravilhoso. O cheiro de livro novo é algo único. Um bom leitor sabe o prazer que é abrir na primeira página de um livro novo e meter o nariz ali. Sentar na frente de um computador ou tablet não é a mesma coisa, longe disso.
            Quando recebo a notícia de que um lançamento finalmente chegou na livraria, me sinto como Usain Bolt correndo de maneira inexplicável para chegar lá o mais rápido possível. Quando entro no site da Saraiva e vejo que aquele livro que eu esperei por meses finalmente está no estoque, posso muito bem ser um daqueles loucos na bolsa de valores desesperada paa fechar logo a compra. E quando o porteiro liga pra avisar que tem uma caixa me esperando lá embaixo? Nada supera a sensação de abrir aquela caixa de papelão e tirar aqueles livros que ainda nem chegaram nas livrarias.
            Como muitas vezes (praticamente todas as vezes) as capas da mesma saga são diferentes quando publicadas em inglês ou português, não consigo comprá-las se não seguirem o mesmo estilo. Essa é, talvez, a mais esquisita das minhas manias envolvendo livros. Sou extremamente categórica com a minha estante e minhas prateleiras.
            Acho que só estava precisando colocar essas confissões pra fora mesmo. Sei que muita gente não vai entender e provavelmente deve ter revirado os olhos várias vezes. Mas sei também que existem muitos loucos como eu por aí, vai que um deles está lendo essa crônica e não estou sozinha nisso tudo?
            Sim, eu sei. Eu tenho um problema. Mas sabe? Não estou a fim de mudá-lo. Ou melhor, mudá-los. A leitura me trouxe tanta coisa boa que, honestamente, não ligo de ter algumas manias esquisitas e alguns hábitos estranhos quando meus livros estão envolvidos. Tem tanta gente fazendo cada loucura por aí, gastar meu dinheiro com livros não vai prejudicar ninguém. E quer saber? Ler é bom demais para tentar mudar qualquer coisa a respeito.
            Agora, se me dá licença, vou ali cheirar um livro novinho e pesquisar alguns lançamentos.Crônica original do blog Nostalgia Cinza.
Gostou da crônica? Não deixe de comentar!
laura


3 de maio de 2014 / Textos

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Desde que o mundo é mundo existem os estereótipos, que são ideias, conceitos ou modelos que se estabelecem como padrões. O grande x da questão é que nos dias de hoje é impossível segui-los, pelo simples motivo de que os estereótipos são sempre o “impossível”, entrando na questão da mulher e a beleza, o modelo é: magra ou/e corpão (variando de acordo com a região) e cabelo de determinada cor.

Sejamos realistas, além de modelos, que ganham para isso, e ratas de academia, é bem difícil manter o corpo estrutural ou ficar magrinha estilo Gisele Bündchen, o porquê disso é muito simples: nós, mulheres, trabalhamos, estudamos, cuidamos de filhos, gostamos de sair com os amigos, comer um pedacinho (ou pedação, nos dias de tpm) de chocolate todo dia, comer um pedaço de lasanha e pizza e ver filme comendo o pote inteiro de sorvete, e depois disso tudo, a gente ainda precisa (e ama) dormir! A academia e dieta nessa rotina louca acaba ficando pra trás e não, isso não é ruim!

A questão é que queremos viver nossa vida pensando no opinião dos outros, “O que vão achar desse vestido?” “Não vou cortar meu cabelo assim, imagina os olhares” “O que vão pensar do meu namorado?” “Essa é a bolsa mais linda do mundo, mas minhas amigas vão achar brega” e por aí vai. Já passou da hora de ligar o famoso “foda-se” para a opinião dos outros e se preocupar apenas com aquilo que vai nos fazer feliz, “Eu quero usar esse vestido?” “Eu vou cortar meu cabelo desse jeito” “Esse é o meu namorado” “Eu vou comprar essa bolsa”. Voltando ao assunto do corpo (eu sou ótima para fugir do tema), existem tantas mulheres se sentindo mal com seus próprios corpos e em grande parte das vezes, se sentem assim por serem bombardeadas todos os dias com mensagens falando “você está gorda” ou “e essa gordurinha aí?”, além disso, na tv, as mocinhas misteriosamente são todas magras e de corpo maravilhosa, quando aparece uma gordinha, é sempre a considerada feia, solteirona e desesperada por um homem (alô Perséfone).

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É claro que fazer exercícios é importante, e sim, se manter em forma também, mas quem disse que a gente não pode ter nenhuma gordurinha? Quem disse que a gente não pode comer o que a gente quiser? Existe uma enorme diferença entre o que é saudável e necessário, para o que é exagero e ruim para a saúde. Se você ama academia e faz isso porque é algo que você ama, então continue, mas se você faz todo um esforço, para simplesmente se enquadrar, não faça isso, seja o que você quer ser.

 

Gostaram do texto? Fazia um tempão que eu não publicava textos meus aqui né? Bem, ultimamente estou bem reflexiva, então podem esperar mais textos! Comentem a opinião de vocês!

bru



30 de abril de 2014 / Textos

Às vezes faz bem ficar sozinho num oceano de pessoas. Sair de qualquer casulo no qual você se encontra e se jogar momentaneamente no mundo.

De vez em quando gosto de ficar sozinha nesse mar de gente. É um gostar um tanto quanto esquisito. Sempre fui bem sozinha e na maioria das vezes não tenho problema com isso. Ao contrário de muita gente, não dou a mínima se vou sair sozinha para um lugar, não ligo se não tiver companhia todas as vezes. Direto e reto me pego sentada num café qualquer, sozinha, observando as pessoas e simplesmente deixando a vida acontecer por alguns minutos sem que eu tenha que fazer alguma coisa a respeito.
Algumas pessoas têm pânico de ficar sozinhas, a solidão parece algo aterrorizante. Comigo não é bem assim. Vai ver eu só me acostumei. Talvez seja algo que faz parte de mim. Vai saber. Quando preciso, vou ao cinema sozinha, saio para almoçar sem companhia e sento em livrarias e cafés sem precisar de ninguém para ficar do meu lado. São pequenos momentos em que me sinto independente e sutilmente feliz. Talvez feliz não seja a palavra certa. Leve. Acho que é isso, me sinto leve. É bom saber que não dependo de ninguém para fazer algo que me faz bem. Ok, de vez em quando é bem nostálgico sentar em um café e tomar um cappuccino maravilhoso enquanto leio um livro e não ter ninguém ali naquele momento para compartilhar a sensação. Não sou de ferro. Mas gosto de me virar sozinha e acho que é isso o que importa.
Não sei o que me encanta tanto em observar estranhos, só sei que encanta. Observar rostos que talvez eu nunca mais vá ver, sorrir para pessoas que provavelmente nunca sorrirão para mim novamente, sentir cheiros e ver paisagens que nunca mais vão ser iguais é algo inexplicavelmente belo pra mim. A banalidade me fascina. Simples assim.
Sentar numa praça, numa praia, num bar e observar o fluxo, os inúmeros estranhos passando por você. Observar os outros vivendo suas vidas enquanto você tenta dar uma pequena pausa na sua. Às vezes faz bem se recolher à sua insignificância, perceber o quão pequeno você é no meio de tanta coisa acontecendo. É uma maneira de manter os pés no chão.
Quando parece que o peso do mundo decidiu ficar sobre meus ombros, eu saio. Sento num lugar qualquer e só… Observo. Penso. Espero. Deixo acontecer. Fazer as pazes com a sua própria solidão é necessário de vez em quando. Faz bem pra sanidade.
Sentada em alguma livraria qualquer, a esperança é a última que morre. Talvez naquele dia em que decidi sair sozinha e me jogar no mundo, tudo mude de alguma maneira. Quem sabe aquela escapadinha do cinza não me traz algo inesperado e lindo? Enquanto tento me agarrar à minha sanidade nas banalidades da vida, vai que algum estranho sorri pra mim da mesma maneira que eu sorrio para a oportunidade de fazer tudo ser diferente?

Confira esse e outros textos de minha autoria no blog Nostalgia Cinza.

Gostou da crônica? Não deixe de comentar. 

laura


2 de janeiro de 2014 / Textos

Sobre espera, pessoas que ficam e pessoas que vão. 

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Às vezes faz bem parar por um tempo, sair de qualquer que seja o estado psicológico no qual você se encontra e tentar se lembrar de quem você é, de quem está com você. Faz bem pensar na vida, no que te cerca e no que deixou de ficar por perto. E quem. Não é bom perceber o quão substituível algumas coisas são, algumas pessoas…

Temos essa coisa com o passado, esse apego inevitável com o que já partiu. Fico contente por ter fechado alguns capítulos da minha vida, feliz por ter conseguido deixar algumas coisas ficarem para trás. Mas detesto perceber o quão substituível algumas pessoas conseguem me fazer sentir. Tantas pessoas passaram pela minha vida, tantas que eu daria o mundo em determinada época e hoje apenas dou um sorriso ligeiro. De quem terá sido a culpa? Minha? Tenho certeza de que várias vezes foi sim. Dessas pessoas?  Também tenho certeza de que sim. Desaponta-me o fato de que nos apegamos mais às coisas do que às pessoas. Sempre quis ser uma pessoa indispensável para alguém, uma só pessoinha já estava de bom tamanho para mim. Acho que nosso ego precisa ser amaciado de vez em quando, ele precisa receber um carinho à parte. Você nunca quis ter alguém apegado a você? Alguém que dissesse que não poderia viver sem você? Eu penso nisso… Penso em outras coisas também. Penso que na vida deveríamos ter pessoas “fixas”, entende? Aquela pessoa que não importa o que aconteça, irá cumprir as promessas que faz ao invés de jogar palavras ao vento na esperança de que algum tolo as pegue e acredite no que dizem. Sou a favor da presença. Aí está uma coisa que me encanta: presença. Gestos simples e de coração são mais do que o suficiente para percebermos quem se importa.

Acho que percebi como a ausência de algumas pessoas pode causar mais impacto do que sua presença. Nos faz sentir vulneráveis, solitários, nostálgicos. Nos faz sentir como se as mudanças fossem nossa culpa, o que grande parte das vezes é sim, mas não sempre. O bater do relógio, o soar de sinos, o nascer e o pôr do sol. São todos sinais de mudanças, de passagem, de seguir em frente. Sabemos que é preciso deixar ir, sabemos o quanto é importante deixar a vida seguir seu rumo, do jeito que deve ser. Aceitar é que é difícil. Precisamos que precisem de nós. Acho que preciso aprender a desencanar, não necessariamente desapegar. Na verdade, quero sim me apegar, quero compartilhar, quero sentir. Viver. Preciso aprender a continuar seguindo a vida do jeito que deve ser sem pensar no ontem ou no que vai acontecer amanhã de manhã. Preciso aprender a esperar. Quem sabe esperando, aceitando, não aparece alguém que não me faça sentir facilmente substituível? Quem sabe aparece alguém que vai fazer meu coração pular uma batida, olhar no espelho de um jeitinho diferente. Quem sabe toda essa espera vai valer à pena?

laura



3 de dezembro de 2013 / Textos

Sobre contradições, felicidade e relfexões

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Eu acabei decidindo ser feliz por mim mesma. Se importar demais sempre custou caro. Sorrir forçadamente sempre machucou muito. Acabei tendo que me acostumar com ausências e alguns lugares ocos. A vida é assim; quando nos acostumamos com a presença de alguém, essa pessoa acaba indo embora. Parece até aquela tal de teoria da conspiração. Acabei percebendo que olhar mais no espelho pode ajudar sim a auto-estima. Às vezes esse maldito espelho também pode causar uma bela dor de cabeça, mas fazer o que? É a vida. Acho que sempre vou ser esse poço de carência e confusão, uma coisa inevitável. Decidi conviver com isso. Essa busca incessante pelo estúpido “eu interior” está acabando comigo. Vivo tentando me entender, tentando achar alguma resposta para essa pessoa complicada que sou e sempre acabo voltando para a estaca zero. É frustrante. Inevitável.

Acabei percebendo que as pessoas nunca vão nos entender como realmente queremos que elas entendam. Às vezes sou eu, também existe essa possibilidade. Quem sabe sou a única pessoa complicada o suficiente para ter vontade de desistir de mim mesma de vez em quando? Vai saber… Ou não. Às vezes não sou a única. Digo que aprendi a conviver comigo mesma, minto sobre a felicidade e me conheço bem o suficiente para saber que amanhã mesmo vou estar questionando Deus e o mundo por não colocar uma pessoa que presta na minha vida para me fazer rir. Acabo me perdendo em meio a tantos pensamentos, tanta coisa que queria escrever mas esqueço por conta de uma mente perturbada. Digo que não sinto falta das pessoas mas a verdade é que daria o mundo para ter algumas de volta. Digo que não ligo para o fato de ser bem sozinha quando de vez em quando preciso de um abraço ou outro. Que peça essa vida pregou em mim, hein? Fazer logo a garota do coração de gelo se sentir toda sentimental e carente. E essa coisa de dizer que sou a garota do coração de gelo? Oras, meu coração bate como o de qualquer outra pessoa e sangra também.

De vez em quando tenho vontade de jogar tudo pra cima, arrumar minhas coisas em uma mala só e ir embora sem me despedir de ninguém. Sem satisfações, amarguras e inseguranças. Tentar ser feliz dá trabalho, essa busca incessante cansa. Acho que no final do dia, só queremos e acreditamos que a felicidade é algo… Inevitável.

laura



12 de novembro de 2013 / Textos
Sobre caminhos meio tortos, amizades nostálgicas e olhar para trás.



Dizem que nossas escolhas nos definem. Não sei se consigo conviver muito bem com esse fato, afinal, nem todas as escolhas até aqui foram feitas inteiramente por mim. Sei que grande parte foi sim, mas… não sei. Sou egoísta ao ponto de não querer ser responsável por tudo. Tenho a péssima mania de querer olhar para trás o tempo inteiro e nem sempre isso me faz bem. Jurei para tantas pessoas que algo seria eterno e acabou não sendo. Jurei que tantos momentos seriam duradouros e acabaram se tornando apenas mais um conjunto de lembranças que eventualmente eu desenterro por conveniência. Eu tinha tantas certezas que hoje me pergunto como foram se tornar dúvidas… Acho que deixei o tempo correr tão livremente e, quando me dei conta, ele já não estava mais lá. Os momentos haviam terminado, as pessoas foram embora e o presente se tornou passado.


Quando foi que tudo mudou tão rápido? Em que momento eu me perdi? Não sei onde minha mente estava, não faço ideia de onde meu coração se meteu. Achamos que sabemos que nada dura pra sempre. Confuso. Verdadeiro. Acredito que tinha esse “achismo” em mim e só percebi isso agora. Estou escrevendo esse texto porque um incômodo choque de realidade me pegou de surpresa. Uma amizade de longa data me fez voltar a questionar algumas certezas idiotas. Temos consciência de que as pessoas também vivem suas vidas e seguem em frente independentemente se estamos presentes ou não, mas por egoísmo nos recusamos a acreditar. Sempre pensamos: “ah, ela volta. Tudo sempre se resolve.” Mas… E se não for? E se dessa vez foi diferente? Eu tinha certeza de que, mesmo distante, algumas pessoas seriam eternas. Quando se conhece alguém há tanto tempo, é inevitável criar esse sentimento de conforto para com a pessoa. Eu criei, sabe? Eu tinha certeza absoluta de que não importava os caminhos, no final o destino seria o mesmo. Algumas amizades parecem grandes demais para ter um fim. Acho que o que mais me incomodou nessa história toda, não foi “a curva na estrada” em si. O que me deixou um pouco perplexa foi o fato de que só eu me senti incomodada com aquela realidade. Fomos grandes amigas sim, de anos, mas o fim não me incomodou tanto quanto a sensação que se seguiu. Eu me senti sozinha no meio desse sentimento. Fiquei me perguntando: será que eu sou a única que está achando isso tudo muito esquisito? Os incomodados que se retirem? A amizade na qual eu me refiro não era aquela necessária, entende? Não era uma amizade urgente. Pelo contrário, era… Morna. Podíamos passar semanas sem nos falar e no final não fazia diferença nenhuma. As risadas eram as mesmas, os sorrisos e a fraternidade continuavam sempre lá. Parecia que por mais que a gente se afastasse, a intimidade permaneceria ali e ambas sabíamos disso. Era bom, era diferente, era morno.


Juro que não acreditava que algo tão sutil me tocaria tanto. É nostálgico como eu me senti pequena diante todos esses pensamentos. Eu senti… Saudade. Por mais que eu tentasse negar, por mais que meu orgulho ferido gritasse e esperneasse, eu senti saudade. É ruim quando algo não parece nem perto de ser recíproco, nos sentimos insignificantes.


O que eu estava falando mesmo? Ah, escolhas! Esse sentimento cinzento chamado saudade me atingiu quando eu andava pelos longos corredores da escola e meu olhar cruzou com o olhar dessa estranha conhecida. Foi inesperado, quase atrevido. Em meio segundo, todos esses pensamentos disfarçados de palavras cruzaram minha mente. Tento entender até agora o que aconteceu, procuro pela maldita escolha que foi capaz de mudar tudo. Não acredito que algum dia vou conseguir a resposta que eu quero. Quero tantas respostas impossíveis e inalcançáveis, essa terá que se conformar em ser apenas mais uma entre muitas.


O que aconteceu depois da troca de olhares? Dividimos um sorriso cúmplice e cada uma voltou a seguir seu caminho por aqueles corredores. Continuamos fazendo escolhas como todo mundo e esperamos não errar mais uma vez, ou pelo menos encontrar o caminho certo no meio de estradas erradas. Acho que em cada curva alguém novo e maravilhoso pode aparecer e mudar tudo, mas também espero que, vez ou outra, apareça alguma visita inesperada como essa que me faça abrir algumas portas já fechadas e me faça repensar um pouco. Nem todas as pessoas precisam nos mudar radicalmente ou causar um estrago. Também não precisamos sempre de alguém completamente novo. Nem sempre o velho é ruim, nem sempre faz mal olhar para trás, foi bom perceber isso. O friozinho na barriga que vem acompanhado da nostalgia pode ser bem agradável. Continuamos a nos cruzar por ai, nos esbarramos ocasionalmente. O sorriso sempre continuou o mesmo, sou bastante grata por isso. É claro que a saudade também faz questão de marcar presença, seria estranho se não marcasse. Algumas vezes aparece grave e dura ou até aguda e sutil. Mas de vez em quando, a saudade vez simplesmente… Morna. 






1 de novembro de 2013 / Textos

Sobre começos, novas amizades e deixar acontecer.

Começos são sempre difíceis, mas podem ser bem gostosos também. Começos nos dão aquela sensação inusitada de não saber o que esperar, de finalmente viver um dia de cada vez. Eu amo começos, inícios, princípios ou o que quer que seja. Quando algo começa, finalmente podemos dizer com certeza que alguma coisa ficou para trás.

Amo começos porque me dão uma nova chance de tentar ser alguém diferente, alguém melhor do que eu fui. Todo mundo tem um certo receio de mudanças, de não saber o que vai acontecer daqui pra frente. Não é fácil ser otimista o tempo inteiro, não é fácil seguir em frente sem dar uma olhadinha para trás. Sentir como se estivesse pisando em ovos constantemente nunca fez bem para ninguém.

Terminar um relacionamento, perceber que uma amizade chegou ao fim, deixar alguém partir, nada disso é fácil. O fato de saber que algo terminou não torna o sentimento mais fácil de lidar. Ter a certeza de que nada vai ser igual ao que era antes não conforta em nada a insegurança. Acho que o que me conforta um pouco é olhar para frente mesmo estando morrendo de medo do que posso ver. É contraditório. Tento pensar que sempre que dou adeus a uma pessoa que não me fez o bem que deveria, abro um espacinho para alguém que o fará. Tento ser positiva mesmo falhando quase todas as vezes. Um dia eu ainda acerto.

Uma das melhores sensações do mundo é conhecer gente nova, gente diferente e interessante. Gente que nos faz ter a certeza de que mesmo sendo algo temporário, vai acrescentar muito à nossa vida. Momentos podem ser melhores do que uma temporada inteira. Não ter medo de errar, não ter medo de perder algo que nem é seu. É muito bom poder simplesmente viver, deixar acontecer. Existe algo melhor do que abrir uma portinha para deixar alguém entrar, nem que seja por um instante e ver que não foi uma completa perda de tempo? Nada melhor do que casos de verão em qualquer estação do ano, se é que isso faz sentido.

Eu gosto de conhecer gente nova que traz consigo sentimentos novos, sensações novas. É tão bom variar um pouco. Gosto quando conheço alguém que vai me fazer esquecer o que não quero lembrar e que vai tratar de construir memórias agradáveis. Estou aprendendo que faz bem viver o momento sem se preocupar com o que aquilo ou aquela pessoa pode se tornar um dia. Deixar rolar. É isso. É bom demais olhar para uma página em branco e não ter medo do que vai ser escrito ali. Quando uma música nova nos faz sentir como se pudéssemos jogar tudo para o alto e começar de novo.

Novas amizades são divinas. É inexplicável a sensação de ter alguém por perto sem precisar fazer esforço algum, deixar alguém chegar à sua vida sem ter previsto. E o melhor? Ver essa pessoa ficar. É tão bom saber que alguém gosta de você do jeitinho que você é e que alguém te quer por perto sem tentar mudar nada em você. Começos me dão a sensação de que eu posso ser eu mesma, eu posso ser do jeito que eu quiser. Pessoas novas trazem um novo frescor, trazem surpresas. Novos sorrisos, novas risadas, novas lembranças.
Não sei se estou cansada de viver em uma eterna rotina ou se isso faz parte de mim, mas me canso muito fácil. Me canso de pessoas, lugares, sensações, me canso de tudo com facilidade. Gosto de começos porque sempre crio a doce ilusão de que alguém vai chegar e não vai me fazer cansar de tudo tão facilmente. Quero conhecer lugares novos, inusitados. Quero viver de um jeito diferente, não quero me acomodar nunca. Quero poder ter a liberdade de ser livre. Quero conhecer uma pessoa nova todo dia, um lugar novo toda semana. Eu quero ter a força para recomeçar sempre, nunca me deixar levar pela constante nostalgia que me rodeia.

Começos são refrescantes, são leves. Quero poder sempre ter a certeza de que deixar algo para trás não é necessariamente ruim. Quero muitos começos bons na minha vida, muitas sensações novas e simplesmente deliciosas. Sorrir por algo que nunca me fez sorrir antes, rir por algo que antes eu não achava graça. Espero que cada dia difícil e escuro seja apenas o começo de algo mais leve e lindo.  




21 de outubro de 2013 / Textos
Um texto sobre a importância dos sorrisos



 Esses dias eu não estava me sentindo muito bem. Nada de mais mesmo, apenas mais um daqueles dias em que nada parece estar no lugar certo e ninguém parece estar onde deveria. Um sentimento comum para alguém que, como eu, tem alguns momentos de lucidez profunda e escuridão repentina. Queria de alguma forma procurar alguém, alguma coisa, qualquer coisa que me fizesse sentir bem. Minha casa estava me sufocando. Peguei a coleira do meu cachorro para fazer um agrado ao bichinho, desci pelo elevador e andei um pouco tentando clarear as ideias. Não sei muito bem o que eu esperava que acontecesse. Mentira. Sei sim. Tinha a ilusão de que alguém que estivesse andando na rua naquele mesmo momento fosse me parar, olhar em meus olhos e perceber aquela tormenta. Ou talvez esperasse que alguém erguesse os olhos de qualquer que fosse o aparelho eletrônico que estivesse usando e sorrisse. Um sorriso às vezes faz toda a diferença.

Sempre procuro sorrir para as pessoas, espalhar um pouquinho de gentileza. Como já dizia o Profeta, gentileza gera gentileza. Penso que às vezes as pessoas se sentem sozinhas, esquecidas por Deus e o mundo e procuram algum tipo de carinho, mesmo que seja em estranhos e desconhecidos. Sorrio porque tenho essa ingenuidade de pensar que um simples sorriso poderia acender uma faísca no coração de alguém. Imagino que um sorriso poderia fazer a diferença para uma pessoa. Acho que era isso o que eu procurava. Afeto, afeição. Acredito que estranhos podem fazer mais por nós de vez em quando do que os amigos mais próximos. Aquece-nos a alma saber que alguém lá fora nos percebeu. Quando alguém ergue o olhar para nós na rua, uma partezinha lá dentro de nós grita: “Alguém notou minha presença! Alguém sabe que eu existo!”. Parece ridículo, mas é essa partezinha que nos fazer sentir algo novo, saber que alguém diferente nos notou. Esquecemos de quem ergueu os olhos, desviamos o olhar e seguimos em frente como se nada tivesse acontecido. Porque nada aconteceu mesmo não é?


Na minha rua, todo dia eu vejo um lavador de carros. Aquele homem, que tem apenas um braço por sinal, é uma das pessoas mais gentis que eu já conheci. Passa mulher, ele sorri. Passa homem, ele sorri. Passa criança, ele sorri. Passa cachorro? Ele sorri. É o exímio distribuidor de sorrisos. Tem gente que acha que sorrisos são algo sagrado, que não se pode dar para qualquer um. Tenho certeza de que ele não pensa assim. Sorri para tudo e todos e nunca sentiu falta de algum sorriso que deu. Não sei sobre sua vida, não sei muito sobre ele também. Não posso dizer com certeza se ele é sempre feliz ou se só aparenta felicidade. Talvez ele esconda uma perda enorme por debaixo daquele sorriso. Talvez toda aquela alegria seja apenas uma máscara. Não sei e acho que nunca vou descobrir. Só sei de uma coisa: ele sorri. Enquanto caminhava, procurei por ele, mas ele não estava lavando carros naquele final de semana. Ninguém sorriu para mim.


Não sei se teria feito alguma diferença afinal. Talvez tivesse feito meu dia muito melhor, talvez um simples sorriso e uma palavra amiga tivessem feito o esforço de levantar da cama valer a pena. Ou talvez não. Talvez eu nem tivesse notado em meio ao dia cinzento que eu estava tendo. Quem sabe? Não posso assegurar nada, ninguém pode. Mas e se tivesse feito diferença?


Escrevendo esse texto, eu gostaria de pedir uma coisa: sorria. Pode ser agora, pode ser depois também. Amanhã quando sair de casa sorria para alguém, por favor. Se estiver parado no sinal, olhe para o carro ao lado e sorria para o motorista, mesmo que ele não sorria de volta. Se estiver entediado em alguma fila, sorria para a pessoa do seu lado. Sorria para aquele idiota do trabalho, afinal, cada um tem seu motivo para ser idiota. Sabe aquela garota tímida da sala? Então, sorria! Eu sei que parece piegas, mas hoje em dia, com todo mundo tão preocupado em digitar risadas, acabamos nos esquecendo de sorrir. Eu sei que o seu dia pode estar sendo o pior de todos, mas o dia de outra pessoa também pode estar sendo assim. De uma coisa eu tenho certeza, se alguém tivesse sorrido para mim, eu teria sorrido de volta. Não tenha medo de gastar seus sorrisos, porque posso te garantir que eles não são limitados. Acho que tudo o que eu quero dizer com esse texto é o seguinte, sorria para alguém, você nunca sabe quem pode estar precisando. 





12 de outubro de 2013 / Textos
Oi galera, cheguei chegando, o melhor da balada… Tá! Oi gente, meu nome é João Cézar, alguns amigos me chamam de JC, isso fica a critério de vocês. Eu tenho 18 anos, nasci e moro em Goiânia, minha terra do pequi. Tenho dois estilos de música favoritos: o novo MPB e rock alternativo. Meu livro preferido é Em Chamas (da série Jogos Vorazes), não pela moda adolescente, e sim que, se você parar pra analisar, a história dos livros é bem política, com várias criticas aos modelos políticos.
Há um tempo eu tava com a ideia de fazer um blog, mas a gloriosa Bruna Magnífica Alecrim me convidou pra ser colunista aqui. Preciso ressaltar que amo essa ruiva. E ela é demais.
Bem… Queria comentar de algo que tá dando o que falar aqui na minha cidade: O Caso Fran.
Pra quem não sabe, Fran é uma mulher que deixou seu companheiro gravar uma transa deles. O que acontece é que, este cara espalhou o vídeo pra geral. Então ok, a vida dela já está destruída e não tem como piorar, certo? Errado! Um bando de (pré) adolescentes, começaram a zoar a menina com a hashtag #ForçaFran, e um símbolo de cu/ok que a mesma fez no vídeo que retrata sua intimidade. Além de criticas e julgamentos que a caracterizam como “puta, vadia, piriguete” e blá blá blá.
“Pimenta nos olhos do outro é refresco.” Essa é uma frase que caracteriza bem essa situação. Galera, todo mundo tem órgão sexual, todo mundo faz sexo e quem não faz, vai fazer um dia. E quando fizer, você vai se desdobrar na cama (ou qualquer outro lugar que caiba) pra fazer aquilo que VOCÊ tiver vontade, você não vai pensar em ninguém além de você e do seu parceiro (a) sexual. Agora imagina que essa intimidade seja mostrada para o país inteiro, e, invés de todos terem compaixão com você e te respeitar, as pessoas vão e fazem chacota com sua cara e com sua intimidade. O que você faria? Eu mudaria do país ou teria me matado, digo isso na boa. Então temos que refletir muito antes fazer algo contra alguém, “eu gostaria que isso acontecesse comigo?”, caso a resposta seja “não”, acho melhor permanecer calado e ficar na sua. Você é responsável com o que faz com a SUA vida, deixe a dos outros em paz.
Bom gente, então, eu sou o bendito fruto e espero que vocês gostem das minhas postagens e talzzz. Se quiserem falar comigo eu to no twitter @xoxofds e no instagram “joaocezars”.
Beijão, JC.